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domingo, 1 de julho de 2018

Indumentária gaúcha











A pilcha, vestimenta histórica do gaúcho, foi transformada em traje de honra e de uso preferencial no Rio Grande do Sul a partir de uma lei estadual de 10 de janeiro de 1989.

Conforme a lei, será considerada “Pilcha Gaúcha” somente a vestimenta que, com autenticidade, reproduza com elegância a sobriedade da nossa indumentária histórica, conforme os ditames e as diretrizes traçadas pelo Movimento Tradicionalista Gaúcho.

O Movimento determina como traje masculino oficial do peão (à época Farroupilha), o conjunto de chiripá, camisa, colete ou jaleco, jaqueta, ceroulas, chapéu, guaiaca, bota, faixa, esporas e lenço.

O traje histórico feminino, confeccionado com tecidos estampados e/ou lisos, é composto por saia e blusa ou saia e casaquinho ou vestido, saia de armação, bombachinha, meias e sapatos. A maquiagem da prenda é discreta enquanto os cabelos devem estar semipresos ou em tranças, enfeitados com flores naturais ou artificiais, sem brilhos.

Chiripá farroupilha
Pano inteiro passado por entre as pernas, atado na cintura, primeiro de trás para frente e após, da frente para trás. Tecido de lã ou então liso em tear ou sem listras somente nas laterais (barrados). Ambos admitem franjas. Comprimento tomado pelo fundilho, na altura da metade da canela, cujo comprimento não deverá passar da altura do joelho para facilitar o movimento.

Camisa
Tecido algodão ou linho, como na foto ao lado em que aparecem os cantores regionalistas César Oliveira e Rogério Melo. Padrão liso, com gola ampla ou de padre (corte da época) com mangas longas, sem cava e punho estreito amarrado com cadarços ou ajustado com botão, fechada na frente, estando aberta até a altura do peito, fechada por cadarços ou botões e sem rendas.

Colete ou jaleco
Tecido encorpado (grossinho, ou ainda de lãzinha) com uma só ordem de botões, sem ou com gola pequena, de um só tecido e cor (sóbria), abotoado na frente com uma única carreira de botões, sem fivela de ajuste.

Jaqueta
Modelo com botões metálicos, sem correntes, de tecido encorpado ou ainda de lã, na altura da cintura.

Ceroulas
Algodão, com ou sem macramé, sem franjas se usadas por dentro da bota, com franjas se usadas por fora da bota, cujo comprimento não deverá passar a altura do início do calcanhar para não pisar na franja.

Detalhes
Lenço preto só nos casos de luto. Jamais em festas e bailes. Lenço xadrez de branco e preto também é luto (aliviado). Os nós mais conhecidos são: nó de correr, nó de namorado, nó de rodeio, nó cabeça de boi, nó de dois galhos, rapadura.

Chapéu
Chapéu de feltro, copa alta arredondada e aba curta com barbicacho de seda e sem metal (usado com o lenço vermelho, ou na cabeça ou no pescoço, com nó republicano). Chapéu de feltro copa baixa e aba larga com barbicacho de seda e sem metal (usado com lenço no pescoço, nas cores branco, bege ou ainda vermelho, com outro nó, que não o “republicano”).

Guaiaca
Lisa, com uma ou duas fivelas, bolsos em número de um a três.

Bota
Modelo tradicional. Couro liso modelo tradicional cor preta, marrom escuro, ou marrom avermelhado. Estilos conforme a região. Vedado o uso de botas brancas.

Faixa
De cor vermelha, preta ou bege-cru, de lã, com 10 a 12 cm de largura, sem bordado.

Esporas
Seu uso é facultativo.

Lenço
Usado na cabeça ou no pescoço, nas seguintes formas:

- Se usado na cabeça vai obrigatoriamente representar o farrapo: de seda, na cor vermelha, de tamanho grande, cobrindo os ombros, com o nó republicano no peito (atado no próprio lenço da cabeça, com o nó republicano, sem outro lenço no pescoço).
- Se no pescoço: quando representar o farrapo. De seda, na cor vermelha, com nó republicano de simbolismo político, composto de dois topes e uma “rapadura” ao centro - vermelho de 1835.

Saia e blusa ou saia e casaquinho
O traje feminino deve representar a mesma época e classe sociais do homem. Saia barra no peito do pé, godê ou em panos. Cor mais escura que a blusa. Blusa as mangas longas e justas aos ombros, com babadinhos (sem exageros) nos punhos, decote pequeno em “V”, sem expor os ombros e os seios.

- Casaquinho (usar com a camisa por baixo): as mangas longas e justas aos ombros, abotoado na frente, com gola (sem exageros),com ou sem debrum.
- Tecido lisos e mais encorpados, sem usar enfeites dourados, prateados, pinturas a óleo e demais tintas e purpurinas, bordados, tendo o cuidado de escolher cores harmoniosas e lisas, esquecendo as cores berrantes, cítricas.
Obs: não usar combinações com as cores da Bandeira do Rio Grande do Sul ou do Brasil.

Vestido
Inteiro e cintura baixa, com barra da saia no peito do pé; corte godê ou em panos - como na foto ao lado, na qual aparecem os integrantes do CTG de Bento Gonçalves Tony da Silva, Liara Cristina da Rocha e Décio Hauenstein. Mangas longas, justas aos ombros, punhos com babadinhos ou rendas nos punhos. Decote pequeno em “V”, sem expor os ombros e os seios. Enfeites rendas, sem exageros. Tecidos estampados, mais pesados como brocado, tafetá, gorgorão.

No trato diário eram usadas mesclas de lã ou linho. Cores rosa, azul e verde, aconselhando-se cores harmoniosas, evitando-se cores e contrastes chocantes, cítricas, e similares. Não usar preto nem nos detalhes e as combinações com as cores da Bandeira do Rio Grande do Sul e Brasil. Não são permitidos os tecidos, transparentes, slinck, lurex e similares, rendão, brilhosos ou fosforescentes, enfeites como bordados, dourados, prateados e pintura a óleo e demais tintas e purpurinas.

Saia de armação
Leve e discreta, na cor branca. Se tiver babados, estes devem concentrar-se no rodado da saia, evitando-se excesso de armação.

Bombachinhas
De cor branca, de tecido leve com enfeites de rendas discretas, abaixo do joelho, cujo comprimento deverá ser sempre mais curto que o vestido.

Meias e sapatos
As meias devem ser de cor branca, bege e longa o suficiente para não permitir a nudez das pernas. Os sapatos, nas cores preto, marrom ou bege ou botinhas preta ou marrom escuro com cadarços da cor da botinha.


O sucesso dos CTGs, Centros de Tradições Gaúchas, tem pelo menos duas razões fundamentais. A primeira é a qualidade do material de cultura resgatado pelo pioneiro Paixão Cortes e seus companheiros; as músicas, as danças e os costumes foram trazidos diretamente da memória do povo. A segunda razão do êxito dos centros de tradição está na história da expansão de nossa agricultura nas últimas décadas.

Só o avanço da agricultura explica a existência de CTGs no oeste da Bahia, em Minas Gerais, em todo o Centro-Oeste. Os gaúchos saíram de seu estado atrás das possibilidades abertas pela domesticação do cerrado para a produção de grãos e junto com eles foi a tradição que, preservada, estava prontinha, saindo do forno.

A Fazenda Lajeado fica no município de São Francisco de Paula, no nordeste do Rio Grande do Sul. É região dos campos de cima da serra, a 112 quilômetros de Porto Alegre. Os CTG estava agitado com a realização de provas de gado e de cavalo em um rodeio que reúne outros 36 ctgeiros da região. São provas classificatórias para o torneio nacional. O povo foi como pode e montou acampamento em barracas e tendas. A lona de circo reforça o espírito de festa.

Na apresentação das delegações, flâmulas e bandeiras dão o ar de solenidade. Na hora da competição, cada um quer ganhar do outro.

Em uma das provas, o cavaleiro tem de receber a mensagem no chão. Depois, monta e corre para passá-la ao outro. Às vezes, o cavalo estranha. A assistência é firme, solidária e variável. A prova é feita nem que chova ou tenha muito barro.

“Para ser sócio não é necessário morar na fazenda”, avisa Mauro Luís Bragheto, patrão do CTG.

A prova do pealo consiste em laçar um animal pelas duas pernas. Um rodeio precisa de 600 cabeças, mas está ficando difícil reunir o gado. O pecuarista empresta os animais cada vez com menor boa vontade. Por isso, há CTG que usa vaca de rodinha pelo menos nos treinamentos.

Nas provas na Fazenda Lajeado, a lama espirra no tropé dos cavalos.

As mulheres dos CTGs são chamadas de prendas. Há sempre concurso entre elas. Conseguir a faixa de Primeira Prenda é o sonho de muitas participantes. Exige-se habilidade, graça e dote artístico.

A equipe de reportagem fez um teste com a estudante Juliana Pinheiro, de nove anos, candidata a Prenda Mirim sobre a Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos. Mas ela não soube responder direito.

A Revolução Farroupilha, que durou dez anos, foi um movimento do Rio Grande do Sul contra o governo imperial por causa do abandono. Chegou a ser proclamada a República de Piratini separada do Brasil.

Mas Juliana se expressa de uma forma tão graciosa e agradável que fica sendo só uma questão de estudar um pouco mais para ser aprovada.

A estudante Ingrid Flores quer ser Primeira Prenda Juvenil. “Para ser Primeira Prenda, primeiro, precisa muita força de vontade, exige muito tempo e estudo. Eu acho que a beleza que conta é a que vem de dentro para fora e não de fora para dentro”, diz.

Os sócios do CTG são os peões. Também existem provas entre eles. Além da história dos gaúchos, de saber dançar e cantar, é preciso encilhar bem o cavalo.

Ao misturar diversão e disputam, acontecem em todos os CTG campeonatos de ferradura e de argola. A data mais importante para o CTG é 20 de setembro, culminando a Semana Farroupilha.

Só no Rio Grande do Sul o pessoal coloca na rua uma cavalaria de 30 mil pessoas montadas. Tem festa e muitas bandeiras. Em alguns CTGs há elementos diferentes, como a forma de cumprimento gaúcho ou uma palavra de ordem.

A tabua de restrição às vezes é longa e sempre rigorosa. Existe até uma música de parabéns gaúcha para ser usada no lugar da canção de aniversário mais conhecida, que é a americana.

Há críticas para o nacionalismo gaúcho mesmo no Rio Grande do Sul. Uma delas é que o movimento romantiza o momento do passado como se nele não houvesse conflito. Outra critica é que simplifica demais a base cultural do estado, como explica o historiador Tão Golin.

“Na história do Rio Grande do Sul a gente compreende que a parte campeira, a parte do gauchismo, é apenas um dos aspectos da formação geral e complexa do Rio Grande do Sul”, esclarece o historiador.

O trabalho de resgate da cultura campeira gaúcha é muito respeitada. O gaiteiro Renato Borghetti, hoje um dos mais importantes músicos do Brasil, se considera um produto do CTG. “Eu comecei no CTG primeiro dançando e declamando. Mas o que realmente começou a me chamar a atenção foi o som da gaita”, revela.

Sempre que pode, Borghetti faz ensaio de sua banda navegando no barco de um amigo num afluente do Rio Guaíba, perto de Porto Alegre.
 




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